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Editorial | Guerra e Paz, de Portinari [estudos]

Em 1950 o primeiro secretário-geral da ONU, o norueguês Trygve Lie, lançou um apelo aos países-membros para que cada país enviasse uma obra de arte para decorar a nova sede da organização. Uma obra que pudesse testemunhar a arte e a cultura daquele país. O Brasil escolheu Portinari e, em 1952, encomendou-lhe a pintura de Guerra e Paz. Contrariando as recomendações médicas, proibido de pintar por sintomas de intoxicação pelas tintas, Portinari não recuou ao desafio e ao trabalho maior de toda a sua vida, legando ao mundo sua mensagem máxima de repúdio à violência e convite à paz e à fraternidade dos povos.

Antes de passar à pintura dos painéis prorpiamente dita, durante quatro anos Portinari trabalhou com afinco na confecção de quase duzentos estudos, esboços e maquetes. Entre eles, dezoito quadros de grande formato, representando detalhes dos painéis em tamanho natural. Cada mão, cada pé, cada rosto era motivo de um estudo detalhado. Em função do processo de envenenamento pelas tintas, a maior parte desses trabalhos foi feita com lápis de cor.

Para esta exposição, que integra o calendário de ações empreendidas no escopo do Projeto Guerra e Paz, reunimos um conjunto de cinquenta desses estudos preparatórios, de coleções públicas e privadas, além de quase uma centena de documentos históricos pertencentes ao acervo do Projeto Portinari, entre cartas, fotografias e recortes de jornais, que contextualizam esse momento.

Completam esta exposição um módulo dedicado ao pintor, sua vida e obra, com objetos pessoais, e três trabalhos originais: Autorretrato (1957); Carlos Gomes (1914), catalogada como a primeira obra; e Índia Carajá (1962), último trabalho, que ficou inacabado. Um sistema de projeções com tecnologia inovadora apresenta mais de cinco mil obras em ordem cronológica, em nove horas de projeção ininterrupta. Uma visão de conjunto da obra completa de Candido Portinari, que nem ao pintor foi dado contemplar.

 
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